21 de fev. de 2012

A supervalorização de treinadores: Pouco modestos e trabalhos pífios

De: Marcelo De Sales

Na cultura do futebol brasileiro, já vi técnicos serem tratados com expressões como "distribuidores de camisas", "árbitros de treinos" e "técnico não ganha jogo, só perde", que eram sempre usadas para depreciar o trabalho dos treinadores.

Se não concordo com o tratamento de coadjuvantes quando dado aos nossos treinadores, também não consigo aceitar que a categoria seja tratada com todo esse status de estrelismo, principalmente ao iniciar nosso século.

Chega a incomodar-me esses altos salários pagos a alguns treinadores. O que se paga para aqueles que são considerados os principais treinadores do país, como Luiz Felipe Scolari, Vanderlei Luxemburgo, Abel Braga e Muricy Ramalho, e aos demais comandantes de times grandes brasileiros, que é muito elevado pelo que andam demonstrando.

Todos eles só conseguiram essa valorização excessiva porque, em algum momento de suas carreiras, tiveram sob seus comandos times tão superiores aos demais que encobria suas deficiências técnicas.

Muitos ganharam fama mais por unir grupos e suportar a pressão das grandes torcidas e da infecta cartolagem clubística do que por seu real conhecimento futebolístico.

O que eu quero dizer é que nossos treinadores não conseguem tirar tudo o que um elenco pode render. Os técnicos reclamam que não há tempo suficiente para trabalhar, tenho absoluta concordância quanto a isso, mas quando um time tem uma semana para se preparar, o treinador, ainda assim, não consegue acrescentar nenhuma inovação que melhore o rendimento da equipe.

Faz muito tempo que aqueles que são considerados os principais treinadores do país não apresentam uma novidade na armação de suas equipes e nem conseguem mudar o ritmo de uma partida com uma sua substituição ousada.

Todos os nossos técnicos caros, sem exceção, ficaram presos a um modelo que um dia os fizeram vitoriosos. Por isso, temos de ouvir - e engolir - sempre os mesmos discursos, incluindo aí os termos "projeto", "trabalho" e "família".

A supervalorização dos técnicos fez com que eles se tornassem extremamente vaidosos e alguns até arrogantes. Não é possível admitir quando um treinador vem a publico falar mal do elenco que ele acabou de montar, desfilar seu currículo de títulos em entrevistas e dizer frases que demonstram sua incapacidade. Eles também pouco se interessam com que acontece de melhor no futebol fora do país, levando em consideração o quanto podem contribuir realmente com o futebol aprimorado.

Autoritários gostam de dizer que resolvem todos os problemas do elenco nos vestiários, mas são os primeiros a pedir o pulso forte da diretoria no ato de indisciplina de um jogador, fugindo inteiramente da responsabilidade de comando.

Mais que demitir, precisamos cobrar aqueles supervalorizados que não condizem os resultados com seus altos salários recebidos.

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