10 de fev. de 2012

Sankt Pauli, Futebol para todos



POR: MARCELO DE SALES


Pra quem não gosta de futebol ou deixou de gostar por ele obter uma série de preconceitos envolvidos (apesar de ser o esporte mais socializável), terá um pensamento mais amplo e conseguirá inserir-se no mundo futebolístico, através do que falarei sobre esse time do futebol alemão.
E em primeira mão, anuncio que entre os times alemães sou torcedor do Sankt Pauli, os motivos, vejam no desenvolvimento.
O St. Pauli é uma equipe fundada em 15 de maio de 1910 de Hamburgo, Alemanha que se diferencia extremamente das outras, até porque sua presidência já fora ocupada por um diretor de teatro ostentado gay. Assim englobando movimentos sociais e de liberdades individuais. Declarada uma equipe anticapitalista e antifascista, ficou mais conhecida na década de 1980, foi quando expôs sua visão partidarista de liberdade em seu estatuto, dizendo ser contra a homofobia, o machismo, o racismo e o fascismo.
No ápice dos confrontos entre torcedores, do neonazismo e perseguições políticas, nos anos 1980, os torcedores do time do bairro operário de St. Pauli, organizaram um movimento antifascista, chegando até fazer o uso da violência. Parte da torcida da equipe considerada fascista acabou por ser excluída a força de dentro do estádio Millerntor. A ideologia fora ganhando corpo de acordo com a introdução de mais movimentos sociais e grupos políticos ligados aos comunistas, anarquistas, e assim até artistas começaram a torcer para o St. Pauli.
O símbolo do clube é a igreja de São Paulo, porém os torcedores quiseram criar uma marca de rebeldia. Para isso, criaram então caveira com ossos cruzados nas cores do clube, era os piratas lutando pelos pobres. A rebeldia pirata começou  nos anos 80, depois que o clube passou por uma grave crise financeira e foi ameaçado de fechar. Operários, artistas e a população do bairro - vizinho de uma área boêmia, repleta de roqueiros e pessoas com estilo de vida alternativo - se uniram para salvar a equipe e começaram a  participar de campanhas para arrecadar fundos. Até um amistoso contra o Bayern de Munique serviu para juntar dinheiro. O empenho funcionou e a partir dali, começou a ganhar a simpatia de muitos pelo mundo.
Há valores mais importantes que o futebol e os resultados alcançados em campo, considerados pelos seus torcedores. O clube, estima ter 11 milhões de sócios espalhados pela Alemanha, e chegou a manter uma média de 15 mil torcedores por jogo enquanto estava na terceira divisão, campeonato com média geral de 200 espectadores. Uma prova e tanto de extrema fidelidade.
Apesar da paixão direcionada ao time, não impede de os torcedores terem atitudes muito bem pensadas. No ano de 2002, por exemplo, uma publicidade de uma revista masculina foi considerada sexista (ações que privilegiem um ponto de vista que demonstra superioridade) pelos torcedores, numa possível depreciação das mulheres, e sua veiculação no estádio rendeu diversas críticas. A direção do clube compreendeu a mensagem e mandou retirar todos os exemplares. Por ações desse tipo, a equipe pirata tem outra marca para se orgulhar, a de maior torcida feminina na Alemanha.
É comum ver bandas de rock exibindo e cultuando o símbolo alternativo do clube, a caveira.
O St Pauli que se tornou um clube cult, possui alguns títulos da seguanda divisão regional e atualmente se encontra na 2.Bundesliga, a segunda divisão do futebol alemão, depois de ser rebaixado com a 18ª colocação, realizando uma campanha ruim na 1.Bundesliga.

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